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  • Qual o futuro do rádio AM?

    Começar um texto com uma pergunta sempre foi muito criticado nos cursos de jornalismo do Brasil. Falavam de clichê, ou de certa prepotência do redator, já que uma vez feita a pergunta no começo do texto até o fim ela terá de ser respondida. Pois bem, deixa-se claro que ninguém sabe o futuro, assim sendo, a intenção não é desdobrar todas as dúvidas do leitor, mas sim, alertar para as modificações
    que estão por vir na radiodifusão brasileira.

    Em palestra no Fala Nordeste 2010, o Presidente da Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado do Rio de Janeiro, Hilton Alexandre, comunicador criado no rádio AM, explanou sobre as mudanças que esperam as ondas médias durante o rádio digital. Hilton apresentou aspectos técnicos, como a frequência média do rádio AM, que permite mais abrangência. Porém, com a interferência de uma série de fatores do mundo moderno negligencia-se a parte técnica do AM, que por consequência perde um pouco de qualidade. Mesmo não tendo as emissoras nem os técnicos culpa nenhuma nisso.

    De acordo com Hilton, o grande atrativo do rádio AM sempre foi o som e a aproximação que os locutores têm com o ouvinte. Principalmente nas transmissões de futebol e notícias. Segundo ele também, é preciso que o radiodifuso tenha a consciência de melhorar o sinal de sua emissora. “Uma boa regulagem nos processadores, feita por um profissional gabaritado pode melhorar e muito o sinal AM”, afirmou Hilton. Outra mudança que prejudicou o rádio AM foi a baixa qualidade dos receptores.

    Segundo ele, os pequenos rádios de pilha e os rádios modernos têm sido fabricados com um receptor de baixa qualidade, na maioria das vezes produzido na China, país famoso por fabricar produtos de “procedência duvidosa” “Muitos ouvintes da minha rádio lá no Rio reclamam do sinal da rádio. Mas não se dão conta do rádio em que estão escutando o programa. Muitas vezes em um rádio de baixa qualidade, comprado por R$ 5. Mas nós radiodifusores temos que ter a consciência que a culpa não é do ouvinte, e nossas emissoras têm que se modernizar e chegar com mais qualidade nas casas”. Afirmou Hilton.

    Em dados apresentados por ele, que é Coordenador do Fórum Nacional do Rádio AM, cerca de 80 mil pessoas, hoje trabalham diretamente com o rádio AM, em todo Brasil. Número alarmante que garante ao país o posto de 2º lugar no mundo em número de emissoras AM. Ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Quando o assunto é rádio digital Hilton Alexandre é uma das autoridades no assunto. De acordo com ele, nem nos EUA, maior mercado AM do planeta, o rádio digital conseguiu abraçar de forma justa o AM. “O rádio digital AM não funciona em lugar nenhum do mundo, nem nos Estados Unidos”. Afirmou. Segundo ele, o rádio digital está em processo mais lento no Brasil por conta do futuro do rádio AM, que não permite a digitalização formal, como acontece com o FM. “O que nós queremos não é uma nova concessão e sim atualização tecnológica, assim como aconteceu com a TV”. Completou Hilton.

    Uma das saídas apontadas por ele para o problema do rádio AM digital, e que já foi apresentada por ele como sendo uma saída palpável, é o rádio AM ocupar os canais 5 ou 6 (dependendo da região) que sobraram do processo da TV digital. “Com certeza, nesses canais, que sobraram da TV digital caberá toda a banda AM do Brasil. O que deve haver é participação dos radiodifusores para que esse processo seja realizado”. Afirmou. Hilton Alexandre lançou uma campanha criativa para angariar parceiros na caminhada para manter o rádio AM. Criativa não pelo teor da movimentação, mas pelo meio: A internet. O mesmo equipamento digital que pode engolir o rádio AM é o mesmo que o radiodifusor utiliza para mobilizar seus companheiros em todo o Brasil. A campanha acontece no site de relacionamentos Facebook. Lá Hilton organiza encontros e colhe assinaturas para levar ao congresso e a comissão de ciência e tecnologia a idéia proposta por ele e por técnicos especializados. A campanha já conta com milhares de integrantes, inclusive com a colaboração de técnicos da ANATEL. De acordo com ele, 18 parlamentares cariocas também já aderiram a causa. Para conhecer mais a proposta e também colaborar com o rádio AM, basta entrar em contato com Hilton através do e-mail:

    hilton.alexandre@radiodocomercio.com.br