
Violência contra jornalistas recua no Brasil em 2025, mas ataques virtuais crescem 35%, aponta ABERT. Relatório anual revela queda nos casos presenciais, aumento da hostilidade online e alerta para riscos à liberdade de imprensa.
A violência contra jornalistas no Brasil apresentou leve redução em 2025, mas segue sendo motivo de preocupação para o setor. É o que aponta o Relatório Anual de Violações à Liberdade de Expressão, divulgado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT).
Segundo o levantamento, foram registrados 66 casos de violência não letal, envolvendo pelo menos 80 profissionais e veículos de comunicação em todo o país. Os dados representam uma queda de 9,1% no número de ocorrências e de 5% no total de vítimas, em comparação com 2024.
Apesar da redução, a entidade reforça que o cenário ainda exige atenção.
Agressões seguem como principal tipo de violência
As agressões físicas continuam liderando o ranking de violações. Em 2025, foram 26 casos, atingindo pelo menos 35 jornalistas, o que representa um aumento em relação ao ano anterior.
Na sequência aparecem as intimidações, com 10 registros, alta de 40%, além de ameaças, censura, injúria, furtos e detenções.
O relatório mostra que profissionais que atuam na cobertura de temas locais, políticos e policiais estão entre os mais expostos, frequentemente enfrentando situações de hostilidade durante o exercício da profissão.
Ambiente digital concentra crescimento da violência
Se nas ruas os números recuaram, no ambiente online a situação se agravou. Em 2025, os ataques virtuais contra jornalistas cresceram 35%, totalizando cerca de 900 mil menções agressivas ou ameaçadoras, com média de 2,5 mil postagens por dia.
De acordo com análise da Bites, responsável pelo monitoramento dos dados, o uso de ferramentas de Inteligência Artificial tem intensificado a disseminação de conteúdos que buscam descredibilizar o trabalho da imprensa profissional.
Brasil sobe no ranking de liberdade de imprensa
No cenário internacional, o Brasil avançou no Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa, elaborado pela organização Repórteres sem Fronteiras (RSF). O país passou a ocupar a 63ª posição, subindo 19 colocações em relação ao ano anterior.
Apesar da melhora, a avaliação ainda classifica o ambiente como “difícil”, destacando desafios como a violência contra profissionais, a desinformação e questões estruturais do setor de mídia.
Cenário global reforça alerta
O relatório também traz dados preocupantes sobre o contexto mundial. Em 2025, 67 jornalistas foram assassinados, muitos em áreas de conflito ou vítimas do crime organizado.
Segundo a UNESCO, mais de 1,8 mil profissionais de imprensa foram mortos entre 2006 e 2025, sendo que a maioria dos casos permanece sem solução judicial.
Defesa do jornalismo é essencial para a democracia
Diante do cenário, a ABERT reforça a importância da proteção aos profissionais da comunicação e do fortalecimento do jornalismo ético e responsável.
Em um contexto marcado por polarização, desinformação e avanços tecnológicos, garantir a liberdade de imprensa é fundamental para assegurar o direito à informação e o funcionamento das instituições democráticas.
Fonte: Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT).
Leia o relatório completo: https://www.abert.org.br/link/liberdadeexpressao/2025/abert_relatorio_anual_2025.pdf